A PSICOLOGIA DA ARQUITETURA E DO URBANISMO
- 6 de jun. de 2017
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Pouco se compreende a relação entre arquitetura e psicologia. Talvez pela forma de abordagem e representação que cada uma emite, a psicologia como o estudo do indivíduo ou o coletivo, e a arquitetura com uma representação gráfica incumbida de abrigar e permitir a sociabilidade desses indivíduos.
Porém, existe uma ligação interdisciplinar entre as áreas, que possui um único objetivo em comum, “a qualidade de vida”, sendo ela, a psicologia ambiental, com o objetivo de estudar e avaliar o ambiente construído durante a ocupação, mostrando-nos que pouco evoluiremos como sociedade se continuarmos tratando as áreas de conhecimento de formas isoladas, reforçando a importância da interdisciplinaridade entre os conhecimentos, para que um conjunto edificado possa ser analisado por completo, com diferentes óticas, mas com o mesmo objetivo.
Sendo assim, o conjunto edificado passa de uma construção meramente física, para uma discussão enquanto espaço de vivência, o que nos levará a uma evolução humana capaz de entender e determinar as necessidades de cada indivíduo, como sociedade.
Mas desta relação surge uma interpelação de um questionamento comum: a arquitetura então pode impor um determinado comportamento? Ela é capaz de mudar a percepção dos indivíduos quando em relação Homem x Ambiente?
A arquitetura pode ser capaz de impor um determinado comportamento, mas também pode sofrer uma intervenção de costumes, culturas, de política e ideologias distintas, pois somos uma sociedade em constante evolução.
Um exemplo claro e comum de uma arquitetura que funcionou, que ainda existe, e precisa ser alterada, são as escolas públicas, que são estruturas racionais, exclusivas, sentenciosas, com uma estrutura física precária herdada do regime militar sem recursos necessários para o desenvolvimento da educação no país, abrindo portas para a segregação e elitização de uma parcela da sociedade, com a vinda do ensino privado.
Então vejam: eu tenho uma estrutura física designada basicamente de espaço, onde há apenas um abrigo fechado, cheio de regras severas que proibiam a criação de um senso crítico, ou seja, a arquitetura foi uma das opções de impor o comportamento que o período exigia.
Hoje, nós buscamos um ensino inclusivo, igualitário, justo e que seja capaz de despertar um senso crítico e a liberdade criativa, onde possamos pertencer a um lugar, e não mais a um espaço. A definição de lugar na arquitetura nos remete à identidade e ao zelo de um determinado ambiente, e é isso que precisa ser buscado e alcançado. O que, com toda certeza, não conseguiremos evoluir se os espaços físicos continuarem os mesmos. Se não tiver a sensação de pertencimento, eu ignoro o que me é ensinado e banalizo-o.
Então, a interdisciplinaridade entre arquitetura e psicologia é fundamental para que alcancemos uma qualidade de vida mais justa, e um equilíbrio entre Homem x Ambiente, no qual ambos precisam estar em perfeita harmonia e funcionando adequadamente um para o outro, acrescentando sempre para uma evolução.
Não só a arquitetura e a psicologia são necessárias. Aqui foi dado um exemplo comum e superficial, mas que se aprofundado, reúne uma gama de profissionais distintos, formando uma verdadeira tarefa multidisciplinar. Como foi dito, precisamos enxergar o mesmo problema de diversos ângulos, rumo ao mesmo objetivo.
Entender o comportamento humano e sua relação com o ambiente construído nos faz entender as reais necessidades de uma grande maioria da população, e isso é a psicologia da arquitetura e do urbanismo.
REFERÊNCIAS
http://www.scielo.br/pdf/epsic/v2n2/a09v02n2.pdf
http://educacaointegral.org.br/reportagens/ditadura-legou-educacao-precarizada-privatizada-anti-democratica/


Vitor Ruiz Menezes, Arquiteto e Urbanista.
vitoruiz@outlook.com
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